segunda-feira, 25 de julho de 2011

Desabafo de um professor.


Desabafo de um professor.
     Senhor, porque será que é tão difícil decidir o valor do piso salarial do professor. Será que é tanto assim?  Que pode ate comprometer a classe social deles( os professores). Às vezes fico pensando o que vou comprar com tanto dinheiro: um apartamento á beira da Lagoa Paulino, para ver a vista à noite! Não talvez um desses novos carrões que foram lançados no mercado! Já um pejout, não... Acho que somente pagarei minhas prestações que estão atrasadas e ficarei em dia com a sociedade.
     Senhor, sei que você foi e é e  sempre será o mestre dos mestre do mundo,e nunca cobrou para nos ensinar, porém senhor, aqui temos que nos sustentar, contas para pagar, algumas coisinha para comprar. Sabe senhor, muitas às vezes fico perguntando onde erramos com esses meninos e meninas, que estão no poder, não me lembram, não importa o tanto que tento, de ter ensinado tanto verbos terminados em tantos ão, a não ser os substantivos aumentativos que sempre termina em ão. Procuramos sempre ensinar e aprender os verbos amar, cooperar, colaborar, respeitar, honrar, alguns adjetivos como: ser solidário, ser compreensivo, ser verdadeiro...
     Então meu senhor, onde estas ex- crianças aprenderam tantos verbos terminados em ão: corrupção, trapacearão, enganação, sonegação Há acabo de inventar uma nova palavra, não sou Guimarães Rosa, porém invento palavras “mentiração”, “ fingição”.
     Quando é que essas ex- crianças deixarão de investir em prisioneiros e investir em seus irmãos, ou melhor, dizendo em seus filhos e filhas que precisa da educação. Será que tudo isso é porque nossos pequeninos não votam? Mais um dia será um ladrão a mais nas ruas, um traficante a mais nas esquinas da vida, ou um matador de elite, ou apenas um drogado no chão jogado pedindo mais um trocado.
     Sabe senhor, o que nos professores aprendeu muito bem nas lições da vida, foi o verbo esperar, esperar, esperar...
     Depois aprendemos a sonhar, sonhar, sonhar...
     Partimos para lutar, lutar, lutar...
     Voltamos, a esperar, esperar, esperar...
Continuamos, a sonhar, sonhar, sonhar...
E com tudo isso surgiu um novo verbo, esperançar, esperançar, esperançar e esse que acabo de inventar aprendemos muito bem, desde que existe a função de professor.
PROFESSOR QUE ALIMENTA DE AMOR,
VIVE DE SONHOS, COMPRA COM ESPERANÇA.
E ACORDA COM UM COBRADOR NA PORTA, QUE NEM QUER SABER SE VOCÊ É UM PROFESSOR.

                                                                                 Sara Elma da Silva Pires.

Nenhum comentário:

Postar um comentário